segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Liz Nugent - O Segredo do Escritor [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: O romance de estreia de Liz Nugent, O Segredo do Escritor debruça-se sobre Oliver, um homem que agride violentamente a sua esposa. Parece-me que é desvendado, logo à partida, um elemento que me parece fundamental e conduz o leitor a caracterizar o protagonista imediatamente no primeiro capítulo. Devido a este acto hediondo, Oliver aparenta ser um psicopata.
Talvez este episódio pudesse ser o clímax do livro (parece-me bastante angustiante uma situação de violência doméstica a ponto de deixar a vítima hospitalizada), no entanto, o suspense da trama advém precisamente da reunião das conjunturas da vida de Oliver e que desencadearam este lado psicopata na sua personalidade.

Assim, regredimos à adolescência do escritor e, de acordo com as perspectivas de outras personagens de forma a corroborar os factos que tiveram acontecimento na vida do protagonista. De facto, há inúmeros pontos de vista (não os contei mas devem rondar os seis) de modo a que há um amplo conhecimento sobre a sucessão de situações que Oliver vivenciou. Os POVs (point of view) são devidamente identificados e existe uma teia que interliga as personagens pelo que nem considerei confusa a forma como a história está narrada. Antes pelo contrário, creio que a tornou ainda mais intrigante.

Portanto contem com pequenos segredos e intrigas, omissões de factos e uma tragédia em que Oliver esteve envolvido. Talvez estes (pequenos) actos maquiavélicos preparem (ou não) o leitor para aquela que é a maior revelação no que respeita a Oliver. Tal como o título da obra nos prometera. 

O Segredo do Escritor é um livro que se lê muitíssimo bem. Li-o avidamente em dois dias numa altura em que a leitura me maçava (há alturas assim em que a paixão pelos livros parece desvanecer).

Pessoalmente considero que o crescendo da intensidade dos acontecimentos resultou e, apesar da agressão logo nas páginas iniciais, a trama nunca perdeu interesse, antes pelo contrário, manteve-me em suspense até ao final. E dá que pensar que, por muito devastador que seja o fenómeno da violência doméstica, há situações tão complicadas quanto esta. Deixam outro tipo de marcas, as psicológicas, as que os hospitais não resolvem por meio de curativos.

A minha percepção é que este livro acaba por se diferenciar dos demais thrillers por desvendar de imediato a natureza do protagonista, bem como incluir os pontos de vista de imensas personagens. Não obstante, é um complexo thriller psicológico, subgénero que aprecio. Muito bem escrito e repleto de episódios transgressores protagonizados por Oliver.

Um livro que gostei muito embora tivesse lido da mesma editora recentemente Deixei-te Ir, que deixou a fasquia demasiado alta.  Sabia de antemão que qualquer thriller psicológico que lesse posteriormente não traria o mesmo impacto que a história anterior. Contudo, pelo nível de suspense e pela construção repleta de suspense, O Segredo do Escritor é um livro que recomendo sem reservas.


Jill Alexander Essbaum - Uma Boa Mulher [Opinião]


Sinopse: O fascínio e a culpa de uma mulher dividida entre o amor e a luxúria. Complexo e íntimo, "Uma Boa Mulher" é a história de uma mulher que enfrenta o vazio no seu casamento e procura dar um novo sentido à sua vida. Este é um romance que explora a sensualidade e o desejo em toda a sua força libertadora e subversiva.Muito elogiado pela crítica internacional e pelos leitores, "Uma Boa Mulher" é um livro profundo e intenso sobre o casamento, a moralidade e o amor-próprio.

Opinião: Toda a gente falava maravilhas deste livro e saí da minha zona de conforto para enveredar por uma leitura diferente. Numa primeira análise achei que a trama se baseava exclusivamente numa mulher, Anna Benz, que mantém relações extraconjugais. Uma consideração que se revelou insuficiente: o tema é complexo e vai além dos deslizes de Anna no seu casamento.

Anna é casada com Bruno e tem três filhos. A família mudou-se para a Suiça e a mulher está a aprender alemão uma vez que ela é americana e ainda não fala a língua do país onde reside agora. Frequenta uma terapeuta a quem desabafa os seus pensamentos mais íntimos, conferindo uma ampla gama de sentimentos: solidão, necessidade de carinho, culpa, vergonha. 
Trata-se, portanto, de uma obra sensorial onde a ode aos sentimentos será até à última página. No entanto estes serão substituídos por outros, de natureza mais devastadora. À emoção de ter um amante (que, pessoalmente, creio não ser tão alta como o risco de ter uma vida dupla) segue-se algo de muito aterrador, curiosamente, um dos elementos que tanto aprecio nas minhas leituras. E tudo muda...

Não, a obra não é um thriller. É um romance contemporâneo que explora, sobretudo, as dimensões (irreflectidas ou não) do adultério. E nisto, devo dizer que é bastante frontal: as imagens sexuais desfilam por entre as páginas e há um crescendo correspondente à situação de Anna. Será ela descoberta?
Por mim falo, se por um lado condeno a traição, por outro não consigo deixar de pensar na comodidade e falta de comunicação que se instalou naquela relação e por consequente, na busca quase desenfreada por sexo. Há um segredo respeitante àquela família que me deixou apreensiva e, mais uma vez, levou-me a reflectir sobre a ausência do diálogo, algo que me parece tão simples e, ao mesmo tempo, tão difícil. Em suma, o estilo da obra é, assim, convidativo à ponderação sobre relações. 

Como referi, por intermédio das sessões de terapia, o leitor consegue conhecer muito bem a protagonista. Tem acesso não só às situações que protagoniza como os sentimentos que despertam. Confesso que a minha percepção é que a avidez por sexo com os amantes faz com que a família seja remetida para segundo plano. E isso vai trazer consequências penosas. Ao contrário de outras tramas que, provavelmente, iriam florear os acontecimentos finais, em Uma Boa Mulher, o desfecho é coerente e devastador, tal como foram as páginas anteriores. 

Termino a minha opinião dizendo novamente que este livro não é a minha praia. Prefiro sempre o género thriller e policial embora admita que tive prazer ao folhear esta obra. Não só pela diferença do estilo literário, como pela obrigação em reflectir sobre alguns temas abordados. 
Um livro interessante.


Patricia Highsmith - O Talentoso Mr. Ripley [Opinião]


Sinopse: Tom Ripley tenta estar sempre um passo à frente dos seus credores e da lei. Mas tudo muda quando, inesperadamente, lhe oferecem uma viagem à Europa, uma oportunidade de recomeçar a vida. Ripley ambiciona ter dinheiro, sucesso e uma boa vida, e está disposto a matar para o conseguir. Quando a sua nova felicidade é ameaçada, a sua reação é tão repentina como chocante. «Uma escritora que criou o seu mundo próprio… assustadoramente mais real do que a casa do nosso próprio vizinho.»Graham Greene «Um enredo preciso, uma escrita elegante, de uma inteligência ímpar. Muito à frente do thriller convencional: um clássico dentro do seu estilo.»Evening Standard «Um thriller espantoso que merecidamente se tornou um clássico.»Spectator «Por alguma razão obscura, uma das nossas maiores escritoras modernas — Patricia Highsmith — é vista, no seu próprio país, como uma autora de thrillers (…) É certamente uma das escritoras mais interessantes deste sombrio século.» Gore Vidal

Opinião: Finalmente li aquela que, provavelmente, é considerada a magnum opus de Patricia Highsmith. O Talentoso Mr. Ripley é o primeiro livro de uma série protagonizada por Tom Ripley, uma personagem muito peculiar se tivermos em conta que esta obra data de 1955. E porquê peculiar? Porque, meus caros leitores, Tom Ripley é psicopata. Sou relativamente leiga em literatura policial clássica mas sei que esta debruçava-se, grosso modo, sobre a investigação de um caso (um homicídio, um rapto ou um roubo) por parte de um detective ou um polícia.
Assim, esta obra distancia-se do género policial vulgarmente denominado de noir e aproxima-se, sem dúvida, do thriller psicológico. Um subgénero que me parece banal nos dias de hoje mas não me soa que fosse corriqueiro na década de 50.

Na presente obra, o protagonista é, simultaneamente, o antagonista. Tom Ripley é interesseiro, maldoso e manipulador mas desperta um sentimento que já sentira com a personagem Dexter (representado por Michael C. Hall na série homónima da produtora Showtime): passei o livro todo a torcer por ele. Mesmo quando ele orquestrou aqueles planos maquiavélicos e esteve prestes a ser apanhado! Creio que o ponto forte da obra é a forma como a mesma está narrada, sempre a favor de Tom Ripley, se bem que a maioria dos leitores repudiará os seus actos.
Numa segunda fase o livro é isto: uma caçada ao homem mas dispersa pelas falsas pistas plantadas por Ripley.

Numa primeira abordagem, o livro desenrola-se num ritmo lento porém fascinante devido à viagem de Ripley à Itália. Este tem como objectivo trazer Dickie Greenleaf de volta para os Estados Unidos, mas as coisas não vão correr como o seu mandatário desejava. Como afirmei, Ripley é uma personagem que não olha a meios para atingir os seus próprios objectivos. Podem deduzir como é que isto vai acabar, certo?

Adorei, principalmente, a personagem do Ripley. A caracterização dele está fantástica, é um psicopata adorável (ao nível do Dexter, claro está). A interacção entre ele e as demais personagens é bastante interessante e levanta uma questão pertinente (que terá uma ilação assaz pessoal também): estaria ele apenas com ciúmes do estilo de vida de Dickie ou apaixonado pelo mesmo? E esta última teoria acaba por explicar o relacionamento da amiga de Dickie, Marge, com Ripley, uma relação pautada por atritos e desconfiança.

Um outro pormenor que muito me agradou foi a sensação de glamour, percepcionada por aquela vida de hedonismo e os cenários italianos maravilhosos. 
A narrativa apresenta um crescendo de tensão bastante interessante, começando por apresentar-nos o estilo de vida de Dickie, o relacionamento cada vez mais íntimo entre este e Ripley até ao culminar dos crimes que o antagonista perpetrou. 

Devo dizer que após a leitura vi o filme realizado por Anthony Minghella e, creio que a adaptação está bastante fiel à obra. Ressalvo alguns pontos que não aconteceram como no livro, embora a mais flagrante seja a omissão da personagem representada por Cate Blanchett. Também a natureza da relação entre Marge e Dickie não corresponde à que é retratada na obra.

Para um livro da década de 50, creio que é bastante interessante e terá, certamente, sido inovadora.

Tom Ripley é protagonista de uma série de cinco livros. A Máscara de Ripley (Ripley Under Ground) é a continuação da saga de peripécias ardilosas orquestradas por esta personagem peculiar. Tenciono, com certeza, acompanhá-lo na sua demanda.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Patricia Highsmith - O Amigo Americano [Divulgação Relógio D´Água]


Data de publicação: 24 Agosto 2016
  
               Título Original: Ripley´s Game
               Colecção: Crime Imperfeito
               Preço com IVA: 17
               Páginas: 
               ISBN: 9789896416386

Sinopse: O terceiro romance da série é um dos mais matizados em termos psicológicos - particularmente memorável pelo seu humor negro -, tendo sido aclamado pela crítica pela sua capacidade de manipular as regras do género.

Sobre a autora: Patricia Highsmith (1921-1995) publicou cinco romances na série de Ripley entre 1955 e 1991. É também a autora de "O Desconhecido do Norte Expresso", "The Price of Salt" e "A Dog’s Ransom". «[Highsmith] obriga-nos a reconsiderar as linhas entre a razão e a loucura, normal e anormal, enquanto nos incita a partilhar o ponto de vista traiçoeiro do nosso herói.» Michiko Kakutani, New York Times «Patricia Highsmith é por vezes descrita como uma escritora de policiais ou livros de mistério, o que é um pouco como dizer que Picasso fazia desenhos.» Cleveland Plain Dealer «Não existe ninguém como Patricia Highsmith para evocar a ameaça que se esconde em lugares familiares.»Time «O génio de Highsmith ao criar Tom Ripley mostra-se na sua habilidade em equilibrar as facetas heróicas e demoníacas do típico sonhador americano na mesma personagem – mantendo-nos do seu lado muito depois do seu comportamento se tornar mais sociopata do que o de um charlatão como Gatsby.»Frank Rich, New York Times Magazine

Patricia Highsmith - A Máscara de Ripley [Divulgação Relógio d´Água]


Data de publicação: 8 Agosto 2016
  
               Título Original: Ripley Under Ground
               Colecção: Crime Imperfeito
               Preço com IVA: 16
               Páginas: 280
               ISBN: 9789896415624

Sinopse: Passaram-se seis anos desde que Ripley assassinou Dickie Greenleaf e herdou o seu dinheiro. Agora, vive numa bela casa de campo francesa, rodeado de uma magnífica colecção de arte e está casado com a herdeira de uma companhia farmacêutica. Tudo parece sereno no mundo de Ripley até um telefonema vindo de Londres destruir a sua paz. Um esquema de falsificação de obras de arte que montara há alguns anos ameaça desfazer-se: um americano metediço anda a fazer perguntas, e Ripley tem de viajar até Londres para o impedir de descobrir algo mais. 
Patricia Highsmith oferece-nos, no segundo romance da série protagonizada por Ripley, uma narrativa hipnotizante e perturbadora na qual Ripley fará de tudo para que o seu novelo de mentiras não seja desfeito. «Apesar de Highsmith não partilhar laços familiares com Jonathan Swift ou Evelyn Waugh, o seu melhor trabalho segue as suas pegadas. […] O humor negro, e por vezes quase selvagem, de Highsmith, e a inteligência que molda a sua prosa precisa e dura, fazem-nos pensar nestes autores.»Newsday  

Sobre a autora: Patricia Highsmith (1921-1995) publicou cinco romances na série de Ripley entre 1955 e 1991. É também a autora de "O Desconhecido do Norte Expresso", "The Price of Salt" e "A Dog’s Ransom". «[Highsmith] obriga-nos a reconsiderar as linhas entre a razão e a loucura, normal e anormal, enquanto nos incita a partilhar o ponto de vista traiçoeiro do nosso herói.» Michiko Kakutani, New York Times «Patricia Highsmith é por vezes descrita como uma escritora de policiais ou livros de mistério, o que é um pouco como dizer que Picasso fazia desenhos.» Cleveland Plain Dealer «Não existe ninguém como Patricia Highsmith para evocar a ameaça que se esconde em lugares familiares.»Time «O génio de Highsmith ao criar Tom Ripley mostra-se na sua habilidade em equilibrar as facetas heróicas e demoníacas do típico sonhador americano na mesma personagem – mantendo-nos do seu lado muito depois do seu comportamento se tornar mais sociopata do que o de um charlatão como Gatsby.»Frank Rich, New York Times Magazine

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Especial MOTELx 2016: Shelley [Opinião Cinematográfica]


Sinopse: Elena, uma jovem romena, chega à Dinamarca para trabalhar como governanta na casa de campo de um casal, Louise e Kasper. A rotina de Elena inclui cuidar da frágil Louise, que devido a um aborto espontâneo ficou impossibilitada de ter filhos. Desesperada por ser mãe, Louise oferece uma avultada soma de dinheiro para que Elena seja barriga de aluguer. A sua gravidez traz alegria à casa, mas o comportamento de Elena altera-se. Parece que a vida dentro dela está a tomar forma demasiado depressa...
“Shelley” foi rodado na Suécia, por um realizador iraniano, com produção dinamarquesa. Estreou no último Festival de Berlim, convoca clássicos como “Rosemary’s Baby” e “The Omen” mas num contexto socioeconómico europeu muito contemporâneo.

Opinião: A capa é sinistra e a história faz-lhe jus. Já para não falar no cenário: uma terreola dinamarquesa no meio de nenhures, reduzida a uma vida minimalista. Sem electricidade, a água potável é proveniente de um poço e, claro, a presença do isolamento como elemento chave. É nestas circunstâncias que Elena entra na vida do casal dinamarquês para, numa primeira abordagem, cuidar das tarefas rotineiras e, posteriormente, para carregar no ventre o filho de Kasper e Louise.

Creio que a sinopse é bastante explícita. Considero Shelley o elo perdido entre o filme de Polanski e o The Omen, recordando que ambos datam dos anos 70, e como tal, alguns aspectos poderiam estar ultrapassados nos dias de hoje. Não obstante e estranhamente, o modo de vida de auto subsistência dos dinamarqueses inviabiliza a vida moderna tal como a conhecemos, repleta de gadgets e tecnologia.

Não há muito que se possa contar sobre o filme que não os acontecimentos estranhos que decorrem durante a gravidez de Elena. Formulamos inúmeras hipóteses: será uma entidade demoníaca? Uma possessão? Ou será apenas uma mera incapacidade da barriga de aluguer em levar a gravidez até ao fim? Uma dúvida que se instala até ao último minuto da película, não sendo, no entanto, devidamente esclarecida a razão de todos os acontecimentos que acabara de ver. Se é mau? Não, apela a uma interpretação muito própria e que, certamente, deferirá de telespectador para telespectador.

Eu, pessoalmente, gosto de filmes europeus. Por norma têm um budget inferior às produções "hollywoodescas" e acaba ser um desafio superá-las. Acho que estamos perante um filme bem conseguido. É bastante inquietante e o terror é sobretudo psicológico. As representações são convincentes e devo confessar que me fascinou o ambiente. Confesso-me fã da Escandinava e gostei de ver um filme que não fosse inteiramente falado em inglês (as personagens recorriam a esta língua para se entenderem uma vez que Elena era romena e o casal dinamarquês).

Para já e note-se que ainda só vi um filme da sessão deste ano, achei Shelley um filme bem conseguido. A temática não é original mas as abordagens à mesma acabam por resultar em histórias interessantes.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Gaspar Hernàndez - A Terapeuta [Divulgação Marcador]


Data de publicação: 18 Agosto 2016
  
               Título Original: La Terapeuta

               Preço com IVA: 17,50
               Páginas: 232
               ISBN: 9789897542602

Sinopse: Hèctor Amat, um actor famoso que sofre de ataques de ansiedade, vê-se envolvido num terrível crime. Sem saber como, nem porquê, aparece num parque de estacionamento, junto de uma mulher assassinada. Por mais que se esforce para reconstruir os seus passos, não consegue lembrar-se do que aconteceu.
O tempo e a investigação não jogam a seu favor, por isso, Héctor decide pedir ajuda como derradeiro recurso para recuperar a memória. Visita então o consultório da psicóloga Eugénia Llort, a terapeuta que o atendeu depois do crime. Esta relação, num primeiro momento profissional, vai-se convertendo num relacionamento de dependência, que atingirá limites nada usuais. Para que Hèctor possa representar, a psicóloga vai todas as noites ao teatro onde ele interpreta Dick Diver, o protagonista de Terna É a Noite, tal como a sua personagem, um psicólogo que se apaixona por uma paciente, também ele acaba por se apaixonar perdidamente pelo terapeuta.

Sobre o autor: Gaspar Hernàndez (1971), o mestre da divulgação psicológica em Espanha, é escritor e jornalista. Ganhou o Prémio Josep Pla com o romance El silencio (2009). Também publicou o ensaio jornalístico El oficio de vivir bien. Colaborou regularmente com os jornais El País, El Periódico de Catalunya e El Punt Avui. Na TV3, apresentou o programa Bricolage Emocional,e, na Catalaunya Ràdio, conduz actualmente L’ofici de viure (O ofício de viver), um programa sobre psicologia e espiritualidade, Prémio Ciutat de Barcelona, pela sua «inovação e rigor», segundo palavras do júri.