quarta-feira, 20 de julho de 2016

Yrsa Sigurdardóttir - O Silêncio do Mar [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: A trama de O Silêncio do Mar foi baseada em factos verídicos de grandes embarcações que apareceram no destino desprovidas de vida como o caso Mary Celeste ou o navio Angoche.
A minha formação académica é na área das ciências e como tal, procuro um lado racional e lógico em todas as situações, daí estes casos me suscitarem bastante interesse. Pessoalmente ainda não tinha visto retratado na literatura um acontecimento tão peculiar como este. Aliado a ser uma história de uma das minhas autoras preferidas, Yrsa Sigurdardóttir, sabendo de antemão que esta seria uma excelente leitura.

Expectativas altas e correspondidas. A história compreende dois momentos de acção: a da embarcação em Lisboa e desenvolvimento dentro do iate aquando a viagem para  Reiquejavique e, mais tarde já na Islândia, a investigação por parte de Thóra Gudmundsdóttir, uma personagem já familiar de quem segue de perto esta série.
As duas subnarrativas compreendem também, a meu ver, duas percepções por parte do leitor: se por um lado a viagem desperta alguma inquietação devido aos momentos tensos que  Ægir (e alguns elementos da tripulação, nomeadamente a sua família) experienciam, por outro, a investigação de Thora proporciona uma sensação de mistério/suspense que culmina na revelação final. Devo afiançar que na subtrama passada no iate, no meio do mar, há uma sensação esmagadora de claustrofobia e isolamento que torna a história ainda mais tensa. Além disso, Ægir leva as duas filhas gémeas de quatro anos e a meu ver, duas meninas tão pequeninas naquele ambiente causam alguma desconforto ao leitor.

Apesar de, aparentemente, nas primeiras páginas pensar-se que a explicação para este desaparecimento em massa ter contornos sobrenaturais (ou serão apenas meras alucinações devidas ao isolamento?), tal como desejava, há uma explicação realista e bastante convincente. 
Recordo-me agora de repente que a autora tem uma outra obra, Lembro-me de Ti, alicerçada sobre o paranormal, no entanto, afianço que não é o caso deste livro.

Estamos perante, portanto, de um livro bastante envolvente quer pela temática, quer pelo cenário. Pessoalmente, gostei muito de ver Lisboa como ponto de partida para a viagem, embora tivesse gostado de ver mais aprofundada a minha cidade. E claro, todo o ambiente islandês me fascina, tendência que penso ser mais global agora com a participação do país no Campeonato Europeu de Futebol (quem é que não gostou de ver aquela solidariedade do povo e a selecção islandesa no ritual Haka Viking?).

O último aspecto intrínseco à trama que devo realçar é a forma como a última página do livro me fez sentir: simultaneamente arrebatada e triste. Depois de destrinçar o desfecho de grande parte dos tripulantes, ficam as duas últimas, curiosamente as que despertaram mais empatia.

À semelhança dos livros antecessores, a investigação intercala com a vida pessoal da protagonista. Thora tem uma vida familiar adorável, muito embora o filho Gylfi tenha agora um novo desafio. É uma questão de esperar pelo novo livro da autora para se perceber qual o caminho do rapaz. A secretária Bella continua a protagonizar momentos engraçados.

Muito sinceramente, não consigo eleger o meu livro preferido de Yrsa Sigurdardóttir, no entanto, O Silêncio do Mar oferece uma experiência de leitura de suspense ao mais alto nível: o ambiente é sombrio, a investigação é interessante e o desfecho arrebatador.

4 comentários:

  1. foi o primeiro livro que li desta autora e estou totalmente rendida. Fiquei completamente arrebatada com todo o livro.

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    1. É, não é? Um grande beijinho, Magda! Continuação de boas leituras

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  2. Respostas
    1. Entretanto já o terminaste? Muito bom, né? Já tenho saudades de ler algo desta autora...

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