quarta-feira, 12 de julho de 2017

Stephen King - A Rapariga que Adorava Tom Gordon [Opinião]


Sinopse: Trisha McFarland tem nove anos e é uma fã incondicional de Tom Gordon. Pelo menos assim o demonstra ao usar a camisola do jogador de basebol, quando, numa caminhada com o irmão e a mãe recém-divorciada se perde, sozinha na floresta. Tudo o que traz consigo é uma sanduíche, água e alguns aperitivos, além de um walkman, através do qual segue o relato dos jogos do seu herói, criando com este uma amizade imaginária. À medida que avança para o coração da floresta, apercebe-se, porém, de que o novo amigo não é a sua única companhia...

Opinião: Não foi o melhor livro de Stephen King, na minha opinião. A começar talvez pelo tema central: o do baseball, desporto com o qual, pessoalmente, não me identifico. Embora deva reconhecer uma certa originalidade do autor em estruturar a narrativa em innings, em vez dos típicos capítulos, conferindo à história um maior entrosamento ao desporto. O baseball é o desporto que pratica Tom Gordon, o ídolo da menina protagonista da história.

Trisha, de apenas nove anos, perde-se na floresta. Passa por inúmeras provações, como devem imaginar, a fome, a paranóia, o desespero... Os sentimentos de Trisha perante estas situações são palpáveis e a maior sensação, a que pode, efectivamente, conferir o ingrediente de terror a esta obra, é a de perseguição. Durante toda a leitura, o leitor sente-se inquieto por achar que há um stalker atrás de Trisha. E não, não falo do seu amigo imaginário Tom Gordon. Algo de maléfico parece estar a perseguir a criança.
Como tem sido costume, há uns laivos de sobrenatural. Não incomoda, é certo que uma das minhas obras de eleição do autor é Carrie, mas tira parte da credibilidade da história. Não obstante a minha interpretação poder atribuir esse ingrediente à paranóia que a menina sente ao longo dos dias em que está perdida. Aí, cada um poderá ter uma diferente ilação.

É um livro curto (nunca li até então uma obra de King que fosse tão pequena) mas não creio que a história esteja subdesenvolvida.
A minha percepção, e note-se que é algo muito pessoal e vindo de alguém que vê filmes de terror e praticamente só lê thrillers, é que a componente de terror é pouco assustadora. Pessoalmente apenas temi pela protagonista pelo facto de ser uma criança e não saber, à partida, como se desenrascar perdida numa floresta. Creio que sentira mais medo ou inquietação aquando a leitura de Carrie ou o Jogo de Gerald. Terei que, com todo o gosto, ler mais um punhado de obras de King.

Sobre Trisha, não há como não adorar a personagem. Tem apenas 9 anos e mostra aquela inocência que normalmente associamos à infância. A menina impressionou-me ao demonstrar sempre grande maturidade, desde o primeiro instante em que pensa racionar a comida que tem consigo. A criança passa por momentos aflitivos e King detalha-os de forma exímia. Não me esquecerei, por exemplo, de quando ela bebeu a água do ribeiro, uma passagem que é descrita com algum humor se bem que a situação era, decerto, muito séria.

Ainda assim, apesar de ter apreciado esta obra, confesso que a minha expectativa foi defraudada. Ambicionava uma história de terror que me inquietasse e em A Rapariga Que Adorava Tom Gordon encontrei uma aventura protagonizada por uma menina fã de baseball. Esperava um pouco mais, confesso. 

Stephen King é um autor que vocês têm em conta? Quais são as suas obras mais tenebrosas que me poderão aconselhar?


2 comentários:

  1. Mais voltado para o terror do King gostei muito de It A Coisa, O Cemitério, O Iluminado, Revival, Christine, Salém, e os livros de contos Sombras dá Noite e Tripulação de Esqueletos.

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    1. Que boas sugestões Maurilei. Há muito tempo que não sabia de ti, espero que estejas bem! Um beijinho até ao Brasil

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