quarta-feira, 11 de abril de 2018

K.L. Slater - Sem Rasto [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Mais um thriller psicológico de K. L. Slater, o segundo título da autora por terras lusas. 
No Verão li A Salvo Comigo e gostei bastante do estilo desta autora britânica. A presente obra debruça-se, como indica o título, sobre o desaparecimento de uma criança. Uma trama desta natureza suscita, desde logo, a dúvida no que concerne ao paradeiro da menina, bem como a razão do seu desaparecimento. Se por um lado, persiste a esperança que a garota esteja viva, contudo, acabamos por nunca descartar a hipótese de um homicídio.

A narrativa vai alternando entre o passado e o presente. Temos pois uma subnarrativa que se reporta à época do já aludido desaparecimento e que se situa três anos antes do tempo presente onde vamos assistindo ao desenrolar da narrativa principal. 
A meu ver essa subnarrativa é, numa fase inicial da leitura, mais interessante do que a acção actual, precisamente por nos dar a conhecer os dias que antecederam o desaparecimento da criança. É a partir destas passagens que o leitor conhece algumas personagens fulcrais, assim como a interacção entre as mesmas e ainda todo o contexto sobre o qual assenta a trama.
A narração dessa mesma parte é feita ora pela mãe, Toni, ora por uma professora. Evie, sendo que a menina narra, igualmente, algumas das passagens, de forma a salientar algumas decisões imprudentes da parte da mãe. 

Um dos aspectos que mais apreciei na trama é a caracterização da protagonista. Nunca escondi que tenho um fraquinho por personagens não confiáveis e creio que este sentimento se encontra bastante presente na obra, sobretudo no que concerne a Toni, a mãe. Oscilando entre comportamentos pouco aceitáveis e escolhas algo descuidadas, a mãe acaba por desencadear, simultaneamente, compaixão e alguma raiva ao leitor.

Na narrativa principal, que equivale, como já dissemos, ao tempo presente, tomamos conhecimento de que a mãe se encontra, praticamente, em estado catatónico, corroída por um sentimento de culpa arrasador. Na minha opinião, as primeiras passagens no tempo actual pouco adiantam à narrativa, todavia, ressalvo que essa sensação diz respeito, unicamente, aos trechos iniciais, pois, à medida que a história evolui, o tempo actual será aquele que, evidentemente, apresentará a chave do enigma.

Ficar-me-á na retina aquele final extremamente intenso. Confesso que à medida que a história se desenrolava, procurei avidamente, no meu íntimo, por um culpado para toda aquela trama e confesso que consegui adivinhar, porém, estava longe de prever as motivações, tão intrincadas e complexas.

Como balanço final, devo sublinhar que estamos perante um livro cativante protagonizado por personagens complexas e que culmina num belíssimo desfecho, intenso e arrebatador. Esperarei ansiosamente pelo próximo livro de K.L. Slater.


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